Notícias, eventos e serviços para você curtir Tucano e ficar por dentro de tudo que acontece na cidade.

COLUNISTA » Rubens Rocha

Rubens Rocha

A fé no Monte Santo: A religiosidade, o misticismo e a força do sertanejo compõem o cenário

04/04/2014

A fé no Monte Santo:  A religiosidade, o misticismo e a força do sertanejo compõem o cenário

Monte Santo, município que dista 353 km da capital – cidade do Salvador – pelas rodovias BA-220, BR-324, está edificada no sopé da serra de Piquaraçá, ou Monte Santo, numa planície arenosa, com ligeiro declive para o Itapicuru. Durante a Semana Santa a cidade é tomada de romeiros que vão ao Santuário da Santa Cruz pagar promessas, numa longa escalada morro acima.  

 

O Santuário da Santa Cruz, no alto da antiga serra do Piquaraçá, fica a 1.969 metros do solo e em seu percurso são vistas 21 capelas com painéis mandados pintar por frei Apolonio, construída em alvenaria. A primeira Capela é dedicada às almas, e as sete seguinte às 7 Dores de Nossa Senhora; as 14 que se seguem foram colocadas em lembrança dos sofrimentos de Cristo na sua caminhada para o monte Calvário, em Jerusalém. O espaço entre cada capela é de cerca de 200 metros, e a peregrinação é feita a partir da Rua dos Santos Passos.

 

A romaria que ocorre durante a Semana Santa tem seu início de madrugada, quando a população é acordada ao som das “matracas”. O cortejo é arrumado em duplas filas, indo os homens à frente e as mulheres seguindo-os. Depois seguem-se várias procissões, na quinta, sexta-feira e sábado, sendo encerrada com uma nova via Sacra, no domingo de Páscoa. Outras atividades religiosas da cidade são: SS. Coração de Jesus, e memorativa da construção do Calvário e Santuário, em 1° de novembro.

 

Em Monte Santo foi encontrado o maior meteorito que já caiu no Brasil o “Bendengó”, em 1784. O meteorito encontra-se no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, onde foi oficialmente recolhido em 27 de novembro de 1888. Ele é quase todo de ferro,  pesa 5.360 kg (mais de 5 toneladas), com densidade de 7,49 e apresenta a seguinte composição: ferro, 91,31% - níquel, 6,40% - outros elementos, 2,39%. Seu maior comprimento é de 2,15 metros a maior largura, 1,50m.

 

Como atração ainda existe o Museu do Sertão, situado na esquina da Frei Apolonio de Todi com a rua Aloísio de Castro. No Museu o visitante irá encontrar uma expressiva quantidade de ex-votos, que se encontravam no Santuário de Santa Cruz, e que são belíssimos trabalhos em madeira. Também, esplendidas fotografias da Campanha de Canudos, do fotógrafo Flávio de Barros, acompanhou a 4ª Expedição contra o “Conselheiro” em 1897.

 

No que se refere a livros e documentos, o turista encontrará uma biblioteca com livros sobre a Guerra de Canudos, obras como “Os Sertões” de Euclides da Cunha, e de outros escritores mais recentes. A biblioteca recebeu a denominação de José Calazans, numa justa homenagem ao pesquisador que reuniu mais livros sobre o tema. Integra o acervo do Museu do Sertão o original das “Prédicas aos Canudenses” de autoria de Antonio Conselheiro, que foi doado pelo professor Ataliba Nogueira. A documentação consiste em fotografias e microfilmes de documentos e jornais históricos, cedidos pela Fundação Casa de Rui Barbosa.